Ingestão de Proteína para Maximizar o Anabolismo Corporal Durante a Recuperação Pós-Exercício em Homens Treinados: O que Revela a Ciência

Em um estudo publicado no The Journal of Nutrition, pesquisadores da Universidade de Toronto analisaram o consumo de proteína necessário para maximizar o anabolismo corporal em homens treinados durante o período de recuperação pós-exercício. O trabalho, conduzido por Mazzulla e colegas, utilizou a técnica de oxidação do aminoácido indicador (IAAO, na sigla em inglês) para estimar o nível de ingestão proteica capaz de otimizar a síntese proteica em todo o corpo após o treinamento de resistência.

Contexto e Objetivo do Estudo

A proteína da dieta desempenha papel essencial na recuperação e adaptação ao exercício de resistência, pois promove a síntese e o balanço positivo de proteínas no corpo. As recomendações atuais para atletas sugerem uma ingestão de aproximadamente 1,2 a 2,0 g de proteína por quilo de peso corporal por dia (g/kg/dia). No entanto, muitos atletas treinados frequentemente consomem mais do que isso, com ingestões habituais variando de 2,0 a 4,0 g/kg/dia.

O estudo teve como objetivo determinar o nível de ingestão de proteína necessário para maximizar o anabolismo corporal em homens treinados no dia de treino, uma lacuna deixada por estudos anteriores que avaliaram dias de descanso.

Metodologia

Sete homens jovens, praticantes regulares de musculação (média de 24 anos, 80 kg de peso, 11% de gordura corporal), participaram do estudo. Após sessões padronizadas de exercício de resistência e consumo controlado de carboidratos para reposição de glicogênio hepático, os participantes ingeriram refeições com diferentes quantidades de proteína (0,20 a 3,00 g/kg/dia), distribuídas ao longo de oito horas pós-treino.

Foram utilizados marcadores isotópicos (L-[1-13C]-fenilalanina) e amostras de respiração e urina para avaliar as taxas de síntese proteica e oxidação de aminoácidos.

Principais Resultados

O estudo identificou um ponto de platô na síntese proteica e no balanço líquido de proteínas em aproximadamente 2,0 g/kg/dia. Essa quantidade:

  • Supera as recomendações gerais para atletas (1,2 a 2,0 g/kg/dia);
  • É superior ao estimado em homens não treinados (∼0,93 g/kg/dia);
  • Está no limite superior das recomendações atuais para atletas de força.

Além disso, foi observado que a oxidação de aminoácidos (indicada pelo aumento linear da excreção urinária de ureia/creatinina) também aumentou com maiores ingestões de proteína, sugerindo que quantidades além desse patamar resultam em maior catabolismo dos aminoácidos excedentes, sem ganho adicional anabólico.

Interpretação e Considerações

Os achados reforçam que, em homens treinados habituados a alta ingestão de proteínas, o consumo para maximizar o anabolismo corporal pode ser maior do que previamente sugerido por estudos em dias de repouso ou em indivíduos menos experientes. Contudo, o estudo também chama atenção para o fato de que consumos acima do ponto de platô (∼2,0 g/kg/dia) promovem maior oxidação dos aminoácidos, não trazendo vantagens adicionais para o anabolismo e levando a maior desperdício metabólico.

Os autores destacam limitações metodológicas, como o fato de o método IAAO medir o anabolismo de corpo inteiro e não isolar os efeitos específicos no tecido muscular, além de possíveis adaptações do metabolismo devido ao elevado consumo habitual de proteína dos participantes.

Conclusão

Este estudo fornece evidência de que a ingestão proteica necessária para maximizar o anabolismo durante a recuperação pós-exercício em homens treinados pode ser consideravelmente maior do que a RDA (Recommended Dietary Allowance) e as estimativas feitas para indivíduos sedentários ou em dias de repouso. A ingestão de cerca de 2,0 g/kg/dia foi suficiente para atingir o platô de síntese proteica, sendo desnecessário consumir quantidades maiores para esse fim. Este dado é relevante para atletas e profissionais de nutrição esportiva ao planejar dietas voltadas ao máximo aproveitamento do anabolismo pós-treino.

Fonte: https://doi.org/10.1093/jn/nxz249

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