“Reduzido em açúcar” é o código para: “tiramos o açúcar do nome principal e colocamos de volta com outro nome”.
“Sem adição de açúcar” é o código para: “usamos suco concentrado de maçã, que é açúcar usando crachá de fruta”.
“Baixo teor de gordura” é o código para: “trocamos a gordura por amido, amido modificado de milho e três emulsificantes”.
“Alto em proteínas” é o código para: “jogamos proteína isolada de soja num biscoito e cobramos mais caro por isso”.
“Sem glúten” é o código para: “tiramos o glúten e colocamos farinha de arroz, goma xantana e óleo de palma no lugar”.
“Livre de” é o código para: “livre da coisa escrita na frente, cheio de outras sete coisas na lista de ingredientes”.
“Fortificado” é o código para: “removemos parte da nutrição original e depois corrigimos com uma versão sintética dela”.
“Fonte de fibras” é o código para: “colocamos inulina em pó numa barrinha de chocolate”.
“Aromas naturais” é o código para: “alguém em um laboratório montou esse sabor e a legislação permitiu chamar assim”.
“Levemente adoçado” é o código para: “adoçado de forma generosa, com dois adoçantes diferentes, nenhum deles chamado de açúcar no rótulo”.
A frente da embalagem é propaganda.
A lista de ingredientes é a receita.
Se a receita parece uma prova de química, talvez não seja comida.
É produto.
