Neste livro de 1976, Broda O. Barnes e Charlotte W. Barnes defendem uma tese central: os infartos não teriam como principal causa o colesterol da dieta, mas sim a deficiência de função tireoidiana, especialmente quando combinada com o aumento da sobrevivência às doenças infecciosas ao longo do século 20. Para os autores, a medicina passou a ver mais infartos não porque a alimentação moderna, por si só, teria criado o problema, mas porque mais pessoas deixaram de morrer cedo por tuberculose, pneumonia e outras infecções, vivendo tempo suficiente para desenvolver aterosclerose e eventos cardíacos. Essa é a espinha dorsal do argumento do livro.
A obra também insiste que muitos casos de morte súbita teriam sido rotulados de forma apressada como “ataque cardíaco”, quando autópsias mostrariam outras causas, como hemorragia cerebral, meningite ou ruptura de grandes vasos. Com isso, os autores tentam desmontar a ideia de que toda morte súbita corresponde a infarto e argumentam que as estatísticas teriam sido infladas por diagnósticos incorretos.
Ao longo dos capítulos, o livro reúne relatos clínicos antigos, dados de autópsia e experimentos em animais para sustentar a ligação entre hipotireoidismo e aterosclerose. Os autores afirmam que a retirada da tireoide em animais favoreceria lesões arteriais, enquanto a administração de hormônio tireoidiano teria efeito protetor. Em seres humanos, eles descrevem sinais como fadiga, intolerância ao frio, lentidão, inchaço e temperatura corporal baixa como pistas de baixa função tireoidiana que, segundo sua interpretação, costumavam passar despercebidas.
Outro ponto central é a crítica aos exames laboratoriais da época. O livro argumenta que testes sanguíneos de função tireoidiana falhariam em identificar muitos pacientes e que a avaliação clínica teria mais valor do que confiar apenas no laboratório. A partir disso, os autores defendem o uso cuidadoso de terapia com tireoide em pessoas consideradas hipotireoideas, inclusive como prevenção cardiovascular.
Na parte final, a obra confronta diretamente a teoria do colesterol. Os autores afirmam que o colesterol presente nas placas seria consequência do dano arterial, e não sua causa principal. Também criticam a troca de gorduras animais por gorduras poli-insaturadas, sugerindo possíveis efeitos tóxicos e até associação com câncer. Em uma das comparações apresentadas, Barnes relata resultados muito mais favoráveis em seus pacientes tratados com tireoide do que os observados no estudo de Framingham, usando isso como argumento de que sua hipótese teria sido negligenciada.
Em resumo, trata-se de um livro de contestação. Ele procura substituir a explicação centrada no colesterol por uma narrativa em que a tireoide ocupa o papel principal na origem, prevenção e tratamento dos infartos.
Link para comprar na Amazon
