Você não está confuso à toa: as autoridades em nutrição dos EUA também não se entendem


Não é à toa que você está confuso sobre o que comer.

As duas maiores organizações de diretrizes alimentares dos Estados Unidos acabaram de publicar recomendações opostas — American Heart Association (AHA) e USDA. Aqui está onde elas concordam, onde divergem e o que a ciência diz.

Primeiro, a boa notícia. O USDA e a AHA realmente concordam no básico:

→ Reduzir alimentos ultraprocessados
→ Diminuir açúcares adicionados
→ Abandonar grãos refinados
→ Priorizar alimentos integrais e minimamente processados

Se a maioria das pessoas simplesmente fizesse isso, os Estados Unidos já estariam em uma situação completamente diferente.

Mas, além dessa base comum, as duas organizações divergem de forma importante. E isso se resume a uma pergunta: a proteína animal deve fazer parte de uma dieta saudável?

O USDA diz que sim. A AHA diz que é melhor se afastar dela. Mas a argumentação da AHA contra a proteína animal se apoia fortemente em estudos observacionais.

Esses estudos mostram associações, não causa e efeito. Muitas vezes, não controlam adequadamente fatores como estilo de vida, qualidade dos alimentos ou o padrão alimentar como um todo. É uma base fraca para sustentar uma recomendação alimentar tão ampla.

O principal alvo da AHA é reduzir o colesterol LDL. Por isso, ela recomenda cortar gordura saturada e alimentos de origem animal para atingir esse objetivo.

Mas o LDL é apenas um marcador de saúde. Ele nem sempre capta o quadro completo, especialmente quando se fala em saúde metabólica.

E os marcadores de resistência à insulina, como:

→ Insulina de jejum
→ Triglicerídeos
→ HDL
→ Composição corporal

Esses indicadores oferecem um retrato muito mais completo da sua saúde metabólica.

Aqui está a parte mais reveladora.

A AHA recomenda fortemente escolher laticínios com baixo teor de gordura em vez de laticínios integrais. Mas, nas próprias diretrizes, ela reconhece que as evidências não mostram de forma clara que os laticínios desnatados sejam superiores em desfechos de saúde. Ainda assim, a recomendação permanece.

O USDA adota uma abordagem totalmente diferente. Ele reconhece que tanto alimentos de origem vegetal quanto de origem animal podem fazer parte de uma dieta saudável. E admite explicitamente que fatores como metabolismo, cultura, estilo de vida e preferência pessoal importam.

Porque orientação nutricional igual para todo mundo não funciona. As últimas décadas já provaram isso.

Por que isso importa?

Porque esta não é apenas uma discussão acadêmica.

As diretrizes alimentares moldam:

→ O que seu médico diz a você
→ O que seus filhos recebem na escola
→ O que a nossa cultura passa a considerar “saudável”

Errar nisso tem consequências reais para pessoas reais e para a sociedade como um todo.

A conclusão não é que uma organização esteja totalmente certa e a outra totalmente errada.

Da próxima vez que você ficar confuso sobre o que comer, lembre-se disto:

Comece pelo que as diretrizes têm em comum. Entenda não apenas onde elas divergem, mas por que divergem. Depois, descubra o que realmente funciona para o seu metabolismo, o seu estilo de vida e o seu corpo.

Era disso que a orientação nutricional sempre deveria ter tratado.

Fonte: https://x.com/bschermd/status/2039795302853415003

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