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Suplementação moderada de carboidratos não aumentou força nem hipertrofia em homens treinados

Carboidratos e hipertrofia nem sempre caminham juntos: neste ensaio, acrescentar 33 g de carboidratos por dia não melhorou força ou crescimento muscular. O estudo avaliou homens experientes em treinamento resistido e comparou proteína isolada com a mesma dose de proteína acrescida de maltodextrina.

Capa do estudo sobre suplementação de carboidratos, força e hipertrofia em homens treinados

O que foi estudado

O trabalho investigou se uma quantidade moderada de carboidratos e energia adicionais poderia aumentar as adaptações ao treinamento resistido. A hipótese era plausível: mais carboidratos poderiam preservar o glicogênio muscular, sustentar maior volume de treino e, por consequência, favorecer força e hipertrofia.

Participaram 20 homens com média de 26,7 anos e aproximadamente 9,7 anos de experiência com treinamento resistido. Eles treinavam a parte superior do corpo cerca de três vezes por semana e a parte inferior duas vezes por semana. A força inicial também indicava um grupo treinado: a carga média do agachamento correspondia a 1,9 vez o peso corporal.

Como o estudo foi feito

O ensaio teve desenho cruzado, contrabalanceado e duplo-cego. Cada participante passou pelas duas condições, com oito semanas em cada uma:

  • Proteína: 30 g de proteína, 4 g de carboidratos e 2 g de gordura por dia.
  • Proteína com carboidratos: 30 g de proteína, 54 g de carboidratos e 2 g de gordura por dia.

O carboidrato adicionado foi maltodextrina. Nos dias de treino, o suplemento deveria ser consumido até uma hora após a sessão. Os participantes mantiveram a alimentação e o programa de treino habituais, registrando dieta e volume de treinamento.

Os pesquisadores avaliaram massa magra por absorciometria de raios X de dupla energia, espessura muscular e área de secção transversal por ultrassom, força máxima no agachamento, torque dos extensores do joelho e resistência à fadiga.

Principais resultados

A condição com carboidratos elevou o consumo registrado de 215 para 248 g de carboidratos por dia, uma diferença efetiva de 33 g. A ingestão energética relatada foi 485 kcal maior, enquanto proteína, gordura e volume de treino permaneceram estatisticamente semelhantes entre as condições.

Apesar dessa diferença, não houve vantagem estatisticamente significativa para força, hipertrofia, massa magra, massa gorda, torque ou resistência muscular. O agachamento aumentou cerca de 5,2 kg na condição com proteína e 6,8 kg na condição com carboidratos, mas a diferença entre elas foi compatível com variação aleatória.

A área de secção transversal do vasto lateral aumentou nas duas condições, sem superioridade dos carboidratos. A massa magra apresentou diferença numérica favorável à condição com carboidratos, mas o intervalo de confiança cruzou zero. No gráfico de efeitos apresentado na página 9, todos os intervalos de confiança também cruzaram a linha de ausência de efeito.

Houve apenas uma tendência não significativa de menor fadiga na condição com carboidratos. Como essa tendência não foi acompanhada por maior volume de treinamento, ela não se traduziu em ganhos adicionais de força ou hipertrofia.

Por que os carboidratos extras podem não ter ajudado

Os autores apontam que sessões convencionais de treinamento resistido costumam reduzir o glicogênio muscular de forma moderada, frequentemente sem atingir níveis capazes de limitar a função neuromuscular. Quando o glicogênio disponível já é suficiente para completar o treino, mais carboidratos não necessariamente permitem levantar mais carga, realizar mais séries ou produzir maior tensão mecânica.

Esse ponto apareceu diretamente nos dados: os participantes consumiram mais carboidratos, mas não aumentaram o volume de treino. Sem mudança no estímulo aplicado ao músculo, não havia razão clara para esperar uma diferença grande na hipertrofia.

O estudo também questiona a ideia de que qualquer superávit energético melhora automaticamente o crescimento muscular. A energia necessária para construir tecido muscular é relativamente pequena, e indivíduos que não estão em déficit energético podem obter parte dela das reservas corporais. Isso não significa que energia seja irrelevante, mas indica que aumentar calorias acima da manutenção não garante maior hipertrofia.

O que isso significa na prática

Para homens já treinados, bem alimentados e sem déficit energético importante, acrescentar uma quantidade moderada de carboidratos não produziu benefícios mensuráveis em oito semanas. A simples inclusão de maltodextrina após o treino não aumentou força, massa muscular ou capacidade de treinamento.

O resultado não demonstra que carboidratos sejam inúteis para todos os atletas. O próprio estudo não deve ser extrapolado para pessoas com ingestão muito baixa de carboidratos, atletas em déficit energético acentuado, mulheres, idosos, iniciantes ou modalidades com grande depleção de glicogênio. Também não avaliou sessões extremamente longas ou volumes muito altos concentrados no mesmo grupo muscular.

Portanto, a conclusão mais precisa não é que uma adição modesta de carboidratos não melhorou as adaptações quando o treino, a proteína e a alimentação habitual já estavam estabelecidos.

Limitações do estudo

A amostra foi pequena, com apenas 20 participantes, e cada fase durou oito semanas. Os intervalos de confiança foram amplos, de modo que efeitos pequenos, positivos ou negativos, não podem ser descartados.

A alimentação foi medida por registros de quatro dias, sujeitos a erros de memória e subnotificação. A diferença energética relatada de 485 kcal por dia também não coincidiu com a diferença calculada a partir dos macronutrientes, o que reduz a segurança sobre o tamanho real do superávit.

O desenho cruzado aumentou o poder estatístico porque cada participante serviu como próprio controle, mas também criou risco de efeito residual: força e hipertrofia adquiridas na primeira fase não desaparecem antes da segunda. Além disso, a alocação foi alternada, não totalmente aleatória, e o estudo foi registrado publicamente apenas depois da coleta de dados.

Em resumo

Homens treinados consumiram a mesma quantidade de proteína em duas condições, mas uma delas recebeu aproximadamente 33 g adicionais de carboidratos por dia. O aumento não elevou o volume de treino e não produziu ganhos superiores de força, hipertrofia ou resistência muscular.

O estudo reforça que carboidratos extras não funcionam como um acelerador automático de crescimento muscular. Quando energia, proteína e desempenho no treino já são suficientes, aumentar carboidratos pode simplesmente não acrescentar um estímulo capaz de gerar mais músculo.

Fonte: https://doi.org/10.3390/nu18121961

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