O açúcar é a coisa mais difícil do mundo de abandonar — e nada dessa dificuldade é química.
Pare de fumar e você simplesmente passa a sair menos para fumar.
Pare de beber e peça uma água com gás e limão.
Pare de apostar e apague um aplicativo.
Pare de usar cocaína e deixe de ligar para determinada pessoa.
Pare de consumir açúcar e sua mãe fica magoada, seus colegas ficam desconfortáveis e o garçom precisa de alguns segundos para processar o pedido.
Todo outro hábito tem um fornecedor que você pode cortar. Este é fornecido por todas as pessoas que já foram gentis com você, em praticamente todos os lugares que você frequenta, seguindo um calendário determinado pelo aniversário dos outros.
E a penalidade social funciona ao contrário.
Recuse um cigarro e todos aprovam.
Recuse uma fatia de bolo e o ambiente fica em silêncio. Então alguém diz que você está sendo radical. Outro comenta que “um pedacinho não vai matar”. O anfitrião parece ofendido. E, de repente, você se tornou a pessoa difícil de uma festa na qual nunca quis causar problema algum.
Ninguém está realmente defendendo o bolo. Estão se defendendo de uma pergunta que percebem estar chegando:
“Se eu preciso de disciplina para dizer não, o que isso esteve fazendo comigo todos os dias durante quarenta anos, enquanto eu dizia sim sem sequer pensar a respeito?”
Esse é o verdadeiro motivo pelo qual abandonar o açúcar incomoda tanto algumas pessoas.
Não é apenas uma escolha alimentar. É um espelho entrando na sala.
E espelhos sempre são chamados de “radicais” por quem está parado diante deles.
O fornecedor é todo mundo.
A recaída é a cortesia.
E o julgamento recai sobre quem decidiu parar.
*Adaptado de Sama Hoole
