Robert F. Kennedy Jr. não é apenas uma celebridade comentando o que decidiu colocar no prato. Advogado ambientalista, filho do senador Robert F. Kennedy e sobrinho do presidente John F. Kennedy e ocupa o cargo de secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.
Kennedy comanda o HHS, departamento ao qual estão vinculadas instituições como FDA, NIH, CDC e CMS. Quando fala sobre alimentação, prevenção e doenças crônicas, suas declarações podem influenciar diretrizes, pesquisas e políticas públicas.
Ele contou que passou a comer principalmente carne e alimentos fermentados e que percebeu perda de peso, maior clareza mental e melhora na disposição. A reação de parte da imprensa foi previsível: surgiram especialistas para explicar por que ele não deveria estar se sentindo tão bem.
A dieta foi chamada de extrema, restritiva e perigosa. Também lembraram que faltam estudos robustos de longo prazo. É verdade: um relato pessoal não prova que o mesmo resultado ocorrerá com todos. Mas isso não transforma a experiência de alguém em alucinação nutricional.
Kennedy nem sequer descreveu uma alimentação exclusivamente carnívora. Mencionou iogurte sem açúcar, chucrute, kimchi e outros vegetais fermentados. Ainda assim, recebeu o figurino jornalístico de “homem das cavernas”.
Diretrizes podem orientar populações, e estudos controlados são essenciais. O problema começa quando o senso comum usa essas ferramentas para dizer ao indivíduo que seus resultados não contam. Em vez de perguntar como estavam sua saúde, seus exames e sua alimentação anterior, prefere repetir uma lista automática de riscos teóricos.
Experiência pessoal não substitui ciência. Mas a ciência também não exige que alguém ignore uma melhora real só porque ainda não existe um ensaio clínico randomizado, triplo-cego, controlado por placebo, com 10 anos de duração e a aura devidamente farmada para autorizá-la.
Aos 72 anos, Kennedy relata estar mais magro, disposto e mentalmente mais claro comendo alimentos de origem animal. O sensato é acompanhar sintomas, exames e evolução clínica. Menos emocionante do que uma manchete alarmista, mas muito mais útil.
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