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Dieta rica em proteína produziu maior perda de peso que restrição calórica em 24 semanas

Prato com ovos e carne magra ao lado de fita métrica, representando uma dieta rica em proteína para emagrecimento

Uma dieta rica em proteína esteve associada a maior perda de peso, redução da cintura e diminuição do percentual de gordura do que uma dieta convencional com restrição calórica. Entretanto, o estudo foi retrospectivo, pequeno e apresenta inconsistências internas que reduzem a segurança das conclusões.

O que foi estudado

O estudo, aceito em 2026 pela revista científica Nutrition & Metabolism, comparou duas estratégias alimentares aplicadas durante 24 semanas em uma clínica de obesidade do Hospital Popular de Dongguan, na China.

Participaram 63 adultos com sobrepeso ou obesidade, definidos pelo critério chinês de índice de massa corporal igual ou superior a 24 kg/m². A idade permitida variou de 18 a 65 anos.

Os participantes foram divididos de acordo com a dieta seguida:

  • 32 receberam uma dieta rica em proteína;
  • 31 receberam uma dieta com restrição calórica convencional.

As tabelas do artigo, porém, apresentam 31 participantes em cada grupo, indicando que uma pessoa do grupo rico em proteína provavelmente não completou todas as avaliações. Essa diferença não foi explicada claramente no manuscrito.

Como eram as dietas

A chamada dieta rica em proteína também tinha controle de calorias. A ingestão energética foi calculada em 20 a 25 quilocalorias por quilo de peso corporal ideal por dia.

A proteína representava de 20% a 30% da energia total, correspondendo aproximadamente a 1,0 a 1,9 grama por quilo de peso ideal. As principais fontes eram carnes magras, ovos e uma barra proteica fornecida diariamente.

A dieta com restrição calórica fornecia entre 1.000 e 1.400 quilocalorias por dia, com déficit estimado de 500 a 1.000 quilocalorias. A proteína representava de 15% a 20% da energia, ou aproximadamente 0,7 a 1,2 grama por quilo de peso ideal.

Nesse segundo grupo, a orientação priorizava alimentos ricos em fibras e com baixa densidade energética.

Portanto, o estudo não comparou uma alimentação rica em proteína sem restrição com uma dieta baseada em contagem de calorias. Foram comparados dois programas com controle energético, sendo um deles proporcionalmente mais rico em proteína.

Exercício e acompanhamento intensivo

Todos os participantes também receberam a mesma orientação de atividade física:

  • pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico moderado por semana;
  • preferencialmente entre 200 e 300 minutos semanais;
  • treinamento resistido de duas a três vezes por semana.

O acompanhamento alimentar foi particularmente rigoroso. Os participantes precisavam fotografar todas as refeições antes de comer e enviá-las diariamente pelo aplicativo WeChat.

Nutricionistas e profissionais de saúde avaliavam as imagens e faziam ajustes em tempo real. Esse suporte intensivo provavelmente contribuiu para os resultados e dificulta a comparação com dietas realizadas sem acompanhamento diário.

Principais resultados

Depois de 24 semanas, os dois grupos perderam peso. A redução foi maior entre os participantes da dieta rica em proteína.

A perda mediana foi de:

  • 10,2 kg no grupo rico em proteína;
  • 5,4 kg no grupo com restrição calórica convencional.

A redução mediana do índice de massa corporal foi de 3,77 pontos no grupo rico em proteína e de 2,03 pontos no grupo convencional.

A circunferência da cintura diminuiu:

  • 12,5 centímetros com a dieta rica em proteína;
  • 9,5 centímetros com a dieta convencional.

O percentual de gordura corporal caiu 4,4 pontos percentuais no primeiro grupo e 3,4 pontos percentuais no segundo.

Além disso, 58,1% dos participantes da dieta rica em proteína perderam pelo menos 10% do peso corporal. No grupo convencional, essa proporção foi de 19,4%.

A dieta rica em proteína preservou mais músculos?

Os dados não demonstraram preservação superior da massa muscular esquelética.

A redução mediana estimada foi de 3,3 kg no grupo rico em proteína e de 2,6 kg no grupo convencional. A diferença entre os grupos não foi estatisticamente significativa.

Também não foram encontradas diferenças claras na redução da gordura visceral, na circunferência do quadril ou na relação entre cintura e quadril.

Esse resultado mostra que consumir mais proteína não impediu completamente a redução da massa muscular durante o emagrecimento, mesmo com treinamento resistido recomendado.

A bioimpedância utilizada também possui limitações para distinguir mudanças reais de tecido muscular das alterações de água e glicogênio provocadas pela dieta e pela perda de peso.

Resultados sobre glicose e metabolismo

Os autores relataram maior melhora da hemoglobina glicada, da glicemia medida duas horas após a ingestão de glicose, dos ácidos graxos livres e da adiponectina no grupo rico em proteína.

Entretanto, essa parte do manuscrito contém problemas que tornam a interpretação menos segura.

A glicemia de duas horas já apresentava diferença estatística entre os grupos antes do início da intervenção. Ao final, as medianas estavam muito próximas: 6,8 mmol/L no grupo rico em proteína e 6,7 mmol/L no grupo convencional.

A maior redução calculada no primeiro grupo pode ter sido influenciada pelos valores iniciais.

Também existe uma aparente contradição nos dados da hemoglobina glicada. A tabela apresenta mediana final de 5,4% no grupo rico em proteína e 5,3% no grupo convencional, embora a análise das mudanças tenha sido descrita como favorável ao primeiro grupo.

Em relação à adiponectina, o resumo afirma inicialmente que houve melhora superior com mais proteína, mas posteriormente informa que não existiu diferença entre os grupos. A tabela, por sua vez, apresenta diferença estatística.

O próprio artigo foi disponibilizado como manuscrito aceito e ainda não editado, acompanhado de um aviso de que erros podem estar presentes.

Não houve diferença clara entre as dietas para glicemia de jejum, insulina, HOMA-IR, triglicerídeos, colesterol total, HDL, LDL, ácido úrico ou enzimas hepáticas.

A análise estatística reduz a certeza da conclusão

Quando os pesquisadores avaliaram conjuntamente o tipo de dieta e a evolução ao longo do tempo, não encontraram interação estatisticamente significativa para peso, índice de massa corporal, cintura ou percentual de gordura.

Isso significa que, embora as reduções absolutas tenham sido maiores no grupo rico em proteína, as trajetórias ao longo das avaliações não foram estatisticamente diferentes.

Outro problema é que alguns indicadores já eram diferentes no início do estudo, incluindo circunferência da cintura, massa muscular esquelética, glicemia de duas horas e adiponectina. Apesar disso, os autores descreveram os grupos como comparáveis.

O que isso significa na prática

O estudo sugere que uma dieta estruturada com maior proporção de proteína pode facilitar o emagrecimento em curto prazo.

Maior saciedade e melhor adesão são explicações possíveis, mas o desenho do estudo não permite identificar o mecanismo responsável.

Os resultados não podem ser atribuídos apenas à proteína. Os participantes também receberam porções padronizadas, restrição energética, exercício, treinamento resistido, educação alimentar e acompanhamento diário.

O artigo também não descreve detalhadamente a quantidade de carboidratos e gorduras consumida. Portanto, não permite concluir que a estratégia fosse cetogênica, com baixo teor de carboidratos ou carnívora.

Limitações do estudo

  • desenho retrospectivo e sem distribuição aleatória;
  • apenas 63 participantes;
  • realização em um único hospital;
  • acompanhamento de somente 24 semanas;
  • população predominantemente jovem ou de meia-idade;
  • diferentes formas de calcular as calorias entre os grupos;
  • diferenças iniciais em algumas variáveis importantes;
  • inconsistências entre resumo, texto e tabelas;
  • manuscrito ainda não submetido à revisão editorial final.

Esses fatores impedem afirmar que a dieta rica em proteína seja necessariamente superior em todas as populações ou em tratamentos de longa duração.

Conclusão

Uma dieta com controle energético e maior proporção de proteína esteve associada a aproximadamente o dobro da perda de peso observada com uma dieta convencional de restrição calórica ao longo de 24 semanas.

A estratégia também produziu maior redução da cintura e do percentual de gordura. Entretanto, não demonstrou preservação superior da massa muscular, e parte dos resultados metabólicos apresenta inconsistências no manuscrito.

Os achados apoiam o uso da proteína como componente relevante de programas estruturados de emagrecimento, mas não comprovam que a proteína, isoladamente, tenha causado os benefícios observados.

Fonte: https://doi.org/10.1186/s12986-026-01163-8

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