Diretrizes Dietéticas de 2026 da Associação Americana do Coração: Mudou o Ano, Não Mudou o Discurso


A nova diretriz da Associação Americana do Coração tem alguns pontos positivos. Por exemplo, recomenda que as pessoas reduzam o consumo de ultraprocessados e açúcar adicionado. No entanto, o problema começa logo no início.

O 1º princípio sugere que as pessoas ajustem a ingestão e o gasto de energia para alcançar e manter um peso saudável. Mas a mensagem principal ainda é basicamente “coma menos e se exercite mais".

A própria AHA já publicou um documento, em 2024, destacando que a obesidade tem causas complexas. Isso inclui fatores fisiológicos, sociais, econômicos e barreiras no acesso a tratamento. Foram abordadas questões como custo de cuidado, cobertura de seguro, acesso a programas, desigualdades e fatores ambientais. Ou seja, a obesidade não é apenas uma questão de comer menos e se exercitar mais.

No entanto, quando se resume a orientação ao público, a velha ideia de equilíbrio calórico volta à tona. Isso é como se fosse suficiente apenas encontrar um equilíbrio entre a comida no prato e a caminhada. A diretriz de 2026 também recicla os mesmos conselhos ineficazes, reforçando a importância de grãos integrais, proteínas vegetais, carnes magras e vegetais, limitar o colesterol e escolher laticínios com menos gordura.

Mas nada disso prova que a obesidade seja causada apenas por excesso de comida e falta de exercício. Na prática, a introdução leva exatamente nessa direção: o corpo engorda porque a pessoa não conseguiu seguir uma dieta equilibrada.

O ponto crítico não é negar que a energia é importante. É lembrar que transformar a obesidade em uma mera questão de soma de calorias reduz um problema biológico complexo a um sermão comportamental. A AHA sabe, por seus próprios documentos, que a história é mais complexa do que isso. Ainda assim, escolheu abrir a diretriz com uma frase que soa menos como ciência atualizada e mais como um jeito polido de dizer: você errou nas contas, então a culpa é sua.

Infelizmente, temos uma nova embalagem, com os mesmos ingredientes. A AHA deveria considerar uma abordagem mais completa e complexa para abordar a obesidade, em vez de reciclar ideias ultrapassadas.

Fonte: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001435#T1

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