Dieta carnívora é uma abordagem alimentar baseada em alimentos de origem animal. Este site reúne a maior base de referências em português sobre o tema, integrando estudos científicos, relatos clínicos, experiências pessoais, etnografia, antropologia, sustentabilidade e documentários.

Dieta low carb e manutenção do peso: 48% mantiveram a perda por cerca de 3 anos

Capa sobre manutenção do peso em longo prazo após dieta low carb

Uma dieta low carb de curto prazo foi seguida por manutenção da maior parte do peso perdido em 48% dos participantes após cerca de três anos.
O estudo acompanhou pessoas com sobrepeso ou obesidade tratadas em uma clínica de controle de peso e ajuda a mostrar que emagrecer é apenas uma parte do desafio: evitar recuperar o peso também importa.

O trabalho, publicado em 2026 no European Journal of Clinical Nutrition por Yuting Ruan e colaboradores, avaliou 294 adultos que haviam participado de uma intervenção com dieta de baixo teor de carboidratos. O acompanhamento médio foi de 36,7 meses, pouco mais de três anos.

O que foi estudado

Os pesquisadores queriam entender quais fatores estavam relacionados à manutenção do peso depois de uma intervenção low carb.

Para facilitar a análise, os participantes foram separados em dois grupos. Foram considerados mantenedores aqueles que recuperaram menos de 25% do peso inicialmente perdido. Quem recuperou 25% ou mais foi classificado como participante com reganho de peso.

Dos 294 participantes, 141, ou 48%, permaneceram no grupo de manutenção, enquanto 153, ou 52%, apresentaram reganho pelos critérios definidos pelos pesquisadores.

Em outras palavras, praticamente uma em cada duas pessoas conseguiu preservar a maior parte do resultado inicial durante um acompanhamento médio superior a três anos.

Como foi a dieta low carb

A intervenção não foi simplesmente uma orientação vaga para “comer menos carboidratos”. O programa utilizou uma dieta estruturada, sem restrição calórica formal, com:

  • menos de 26% das calorias provenientes de carboidratos;
  • aproximadamente 50% das calorias provenientes de gordura;
  • mais de 24% provenientes de proteína.

Almoço e jantar eram parcialmente padronizados com barras de substituição de refeição. Café da manhã e outros alimentos não eram rigidamente controlados, embora os participantes recebessem orientações alimentares.

A intervenção durou, em média, 6,9 semanas, geralmente entre quatro e 12 semanas. Depois disso, não existiu um programa formal de manutenção fornecido pelos pesquisadores.

Quase metade manteve o resultado em longo prazo

Durante a fase inicial, os dois grupos perderam peso. Curiosamente, quem posteriormente recuperou peso chegou a apresentar uma perda percentual inicial um pouco maior: mediana de 6,9% do peso corporal, contra 5,1% entre aqueles que conseguiram manter o resultado.

Isso mostra uma diferença importante entre perder peso rapidamente e conseguir sustentá-lo.

Ao final do acompanhamento, o grupo que manteve o resultado apresentou uma mudança mediana de -3,0 kg durante o período de acompanhamento, enquanto o grupo classificado como reganho apresentou aumento mediano de 5,1 kg.

O IMC médio no acompanhamento também foi menor entre os mantenedores: 26,7 contra 29,1 kg/m²

Um exemplo simples ajuda a entender o critério utilizado. Se uma pessoa tivesse perdido 8 kg inicialmente, poderia recuperar até quase 2 kg e ainda permanecer no grupo considerado mantenedor. Portanto, “manter” não significava obrigatoriamente permanecer exatamente no menor peso atingido.

O sono apareceu como um fator importante

Um dos resultados mais interessantes foi relacionado ao sono.

Entre os participantes que mantiveram o peso, 87,9% relataram dormir entre seis e oito horas por noite. Entre aqueles que recuperaram peso, essa proporção foi de 77,2%.

Depois dos ajustes estatísticos, dormir entre seis e oito horas esteve associado a uma chance aproximadamente 84% a 85% menor de reganho de peso quando comparado a dormir menos de seis horas.

Isso corresponde a razões de chances de 0,15 a 0,16 nos diferentes modelos estatísticos. Trata-se de uma associação observacional, portanto o estudo não demonstra que simplesmente aumentar as horas de sono provoque essa redução no risco. Ainda assim, a relação permaneceu significativa após os ajustes realizados.

Histórico familiar também fez diferença

O fator associado de maneira mais consistente ao reganho foi o histórico familiar de obesidade.

Participantes com pelo menos um familiar de primeiro grau com obesidade apresentaram aproximadamente 2,4 a 2,8 vezes maior chance de recuperar peso.

O histórico familiar pode representar tanto predisposição genética quanto hábitos e ambientes compartilhados dentro da família. Por isso, o estudo não permite atribuir o resultado exclusivamente aos genes.

Perder mais peso no começo não garantiu manutenção

Outro resultado relevante foi aquilo que não conseguiu prever de maneira consistente o sucesso em longo prazo.

A duração da dieta low carb, a quantidade de peso inicialmente perdida e a frequência de exercícios relatada pelos participantes não permaneceram consistentemente associadas à manutenção após os ajustes estatísticos.

Isso não significa que exercício seja inútil para o controle do peso. Os próprios autores destacam que a atividade física foi medida apenas por autorrelato e frequência semanal, sem informações adequadas sobre duração, intensidade ou gasto energético.

Uma limitação importante: o estudo não acompanhou a dieta por três anos

O resultado precisa ser interpretado corretamente. O estudo não demonstrou que os participantes permaneceram seguindo uma dieta low carb durante todo o acompanhamento de aproximadamente três anos.

A dieta low carb estruturada ocorreu apenas no período inicial, durante cerca de sete semanas em média. Depois disso, não houve intervenção formal de manutenção e os pesquisadores não mediram objetivamente a composição da alimentação consumida ao longo dos anos seguintes.

Portanto, o estudo permite afirmar que quase metade dos participantes manteve a maior parte da perda de peso após uma intervenção low carb, mas não que essa manutenção tenha ocorrido necessariamente porque continuaram seguindo uma dieta low carb durante todo esse período.

Em resumo

Em um cenário clínico do mundo real, uma intervenção low carb relativamente curta produziu perda de peso inicial e foi seguida por manutenção da maior parte dessa perda em 48% dos participantes após aproximadamente três anos.

O estudo também mostrou que o sucesso em longo prazo não parece depender apenas de quanto peso se perde nas primeiras semanas. Dormir entre seis e oito horas esteve fortemente associado a menor probabilidade de reganho, enquanto o histórico familiar de obesidade esteve associado a maior risco.

Conclusão

O estudo reforça uma ideia simples: emagrecer e manter o emagrecimento são desafios diferentes. A dieta low carb foi capaz de produzir a redução inicial do peso, e quase metade dos participantes preservou a maior parte desse resultado durante um acompanhamento médio superior a três anos.

Ao mesmo tempo, os dados indicam que fatores individuais — especialmente histórico familiar e sono — podem influenciar bastante o que acontece depois da fase inicial da dieta. O resultado também mostra por que avaliar apenas quantos quilos foram perdidos nas primeiras semanas conta apenas uma parte da história.

Fonte: https://doi.org/10.1038/s41430-026-01815-1

*O estudo completo está disponível para assinantes da newsletter e apoiadores do site
Postagem Anterior Próxima Postagem
📬 Conteúdos como este chegam toda semana na newsletter "A Lupa", com estudos completos que não são publicados neste site, além de indicações de podcasts, livros, estudos clássicos e documentários. Assine agora para ter acesso exclusivo!
📖 Se este conteúdo foi útil para você, considere apoiar este trabalho. Os apoiadores recebem uma curadoria mensal de estudos com resumos claros, análise prática e referências diretas, além de contribuir para a continuidade deste projeto independente. Apoie e tenha acesso ao material exclusivo.