Ingestão de proteínas e doenças cardiovasculares: revisão abrangente das evidências

Uma revisão abrangente conduzida pela Sociedade Alemã de Nutrição analisou se a ingestão de proteínas — totais, de origem animal ou vegetal — está associada à incidência de doenças cardiovasculares (DCV), incluindo doença arterial coronariana (DAC) e acidente vascular cerebral (AVC). O foco foi avaliar estudos de alta qualidade metodológica, baseados em coortes prospectivas acompanhadas por até 32 anos.

Pontos positivos identificados pela revisão

1. Ausência de relação prejudicial direta

A principal conclusão é que não foram encontradas associações consistentes entre o consumo de proteína (total, animal ou vegetal) e aumento do risco de DAC, AVC ou DCV totais.

  • Para DAC, a certeza da evidência foi classificada como “provável” de que não há efeito negativo da ingestão de proteínas.
  • Para AVC e DCV totais, a evidência foi considerada “possível” de não haver associação prejudicial.

Essa constatação é positiva, pois indica que dietas com teor adequado de proteína, independentemente da fonte, podem ser incluídas de forma segura na alimentação da população adulta, desde que inseridas em um padrão alimentar equilibrado.

2. Indícios de efeito protetor em alguns contextos

Embora o conjunto de dados gerais aponte neutralidade, alguns resultados sugerem benefícios:

  • Menor risco de AVC foi observado em estudos que avaliaram maior ingestão de proteína total ou animal em comparação com ingestões mais baixas.
  • Menor risco de DCV totais foi associado a maior ingestão de proteína animal em uma das análises.
  • Proteína vegetal, especialmente proveniente de soja, apresentou associação com melhora de marcadores cardiovasculares em ensaios clínicos, como pressão arterial e perfil lipídico.

3. Papel positivo de compostos presentes em alimentos proteicos

A revisão destaca que possíveis benefícios para a saúde cardiovascular não vêm apenas da proteína em si, mas também de nutrientes e compostos bioativos presentes nos alimentos que a contêm:

  • Peixes gordos: ricos em ácidos graxos ômega-3, associados a menor risco cardiovascular.
  • Laticínios: fornecem peptídeos bioativos com efeito anti-hipertensivo e aminoácidos como a prolina, associados a menor risco de AVC.
  • Leguminosas e oleaginosas: fontes vegetais com fibras, gorduras insaturadas, vitaminas e minerais protetores.

4. Segurança em diferentes níveis de consumo

Os estudos incluíram populações com ampla variação de ingestão proteica, e não houve indícios de risco aumentado mesmo em consumos relativamente altos (acima de 18% das calorias diárias vindas de proteína), reforçando a segurança do nutriente no contexto de uma dieta equilibrada.

5. Possível contribuição indireta para fatores de risco

  • Proteínas podem favorecer a saciedade, ajudando no controle do peso corporal — um fator importante na prevenção cardiovascular.
  • Certos aminoácidos, como a L-arginina, mostraram efeito de redução da pressão arterial em meta-análises de ensaios clínicos.

Conclusão prática

Com base nas evidências avaliadas, a ingestão de proteínas — tanto de origem animal quanto vegetal — pode fazer parte de um padrão alimentar saudável sem aumentar o risco cardiovascular, e em alguns contextos pode até contribuir para a redução de determinados desfechos. O foco para potencializar os benefícios está na qualidade das fontes proteicas e no padrão alimentar global.

Fonte: https://doi.org/10.1007/s00394-025-03746-2

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