Efeitos das dietas veganas e do estilo de vida na composição corporal de adultos: uma revisão narrativa


A busca por alternativas alimentares que promovam saúde e bem-estar tem levado muitas pessoas a adotarem dietas veganas. No entanto, uma análise criteriosa da revisão narrativa publicada em 2025 sobre os efeitos das dietas veganas e do estilo de vida na composição corporal de adultos revela diversos aspectos negativos e riscos associados a esse padrão alimentar que precisam ser compreendidos.

Riscos nutricionais das dietas veganas

Embora dietas veganas possam reduzir peso corporal e percentual de gordura, a revisão apontou deficiências nutricionais frequentes e significativas como um ponto crítico. As principais carências nutricionais identificadas nos estudos incluídos foram:

  • Vitamina B12: essencial para função neurológica e produção de glóbulos vermelhos, praticamente ausente em alimentos vegetais.
  • Vitamina D: importante para a saúde óssea, cuja ingestão tende a ser inadequada em veganos, especialmente em locais com baixa exposição solar.
  • Cálcio: com biodisponibilidade reduzida em alimentos vegetais devido à presença de fitatos e oxalatos que prejudicam sua absorção.
  • Zinco e Iodo: minerais fundamentais para funções metabólicas e tireoidianas, com menor disponibilidade em dietas à base de plantas.

Essas carências podem gerar consequências de longo prazo, como anemia megaloblástica, osteopenia, hipocalcemia e disfunção tireoidiana, caso a dieta vegana não seja suplementada ou cuidadosamente planejada.

Perda de massa muscular: um risco importante

Outro aspecto negativo central identificado foi o risco aumentado de perda de massa magra ou massa muscular esquelética durante a adoção da dieta vegana. Vários estudos incluídos na revisão reportaram reduções não apenas no peso total e na gordura corporal, mas também diminuição indesejada de massa muscular, o que compromete a saúde metabólica, a força e a funcionalidade física, especialmente em adultos mais velhos.

Esse risco foi mais pronunciado em estudos onde:

  • A ingestão proteica foi inadequada
  • A prática de atividade física, especialmente treinamento de resistência, foi ausente ou insuficiente
  • O déficit calórico foi acentuado

Sem ajustes adequados, a dieta vegana pode levar a um perfil de composição corporal menos favorável, com redução tanto da gordura corporal quanto de músculo, prejudicando o metabolismo basal e aumentando o risco de sarcopenia.

Qualidade das evidências e limitações metodológicas

Além dos riscos diretos, a revisão ressaltou limitações relevantes que comprometem a confiabilidade dos resultados favoráveis frequentemente divulgados sobre dietas veganas:

  • Amostras pequenas e com viés de seleção (muitos participantes eram voluntários motivados, frequentemente já adeptos de estilos de vida saudáveis)
  • Intervenções de curta duração (em alguns casos apenas semanas), insuficientes para avaliar mudanças reais e sustentáveis
  • Falta de controle rigoroso sobre a ingestão alimentar e a prática de exercícios físicos
  • Variações metodológicas nos instrumentos para medir composição corporal, como uso de bioimpedância (BIA), que apresenta maior erro quando comparado à absorciometria por dupla energia (DXA)

Esses fatores dificultam a extrapolação dos resultados e sugerem que os benefícios atribuídos às dietas veganas podem estar superestimados, enquanto os efeitos negativos, como a perda de massa magra e as carências nutricionais, tendem a ser subestimados.

Dependência de suplementação e planejamento rigoroso

Outro ponto negativo prático destacado foi a necessidade de monitoramento frequente e suplementação para garantir a adequação nutricional, o que torna a dieta vegana complexa e dependente de orientação profissional constante. Diferente de padrões alimentares onívoros equilibrados, que tendem a fornecer naturalmente os nutrientes essenciais, o padrão vegano exige atenção especial para evitar consequências adversas à saúde.

Conclusão

Portanto, a revisão reforça que a adoção de dietas veganas, se não for acompanhada de planejamento meticuloso e atividade física adequada, está associada a riscos relevantes: perda de massa magra, deficiências nutricionais críticas e potencial comprometimento da saúde óssea e metabólica.

Embora possam contribuir para redução de peso e gordura corporal, esses benefícios podem vir acompanhados de efeitos adversos significativos que comprometem a qualidade de vida e a saúde a longo prazo.

Fonte: https://doi.org/10.1039/d5fo01876e

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