Diretrizes Alimentares para Americanos 2025–2030


O documento “Dietary Guidelines for Americans, 2025–2030” apresenta-se como uma reorientação das mensagens federais sobre alimentação, com uma diretriz resumida em uma frase: “comer comida de verdade”. A ênfase recai sobre padrões alimentares baseados em alimentos integrais e densos em nutrientes (proteínas, laticínios, vegetais, frutas, gorduras consideradas saudáveis e grãos integrais) e, em paralelo, uma redução “dramática” de produtos ultraprocessados com carboidratos refinados, açúcares adicionados, excesso de sódio, gorduras consideradas não saudáveis e aditivos.

Ainda na mensagem de abertura, o texto enquadra o cenário como uma “emergência de saúde”, citando que quase 90% dos gastos em saúde estariam associados ao tratamento de doenças crônicas, além de mencionar prevalência elevada de excesso de peso/obesidade em adultos e indicadores preocupantes em adolescentes, remetendo a páginas do CDC como referência dessas estatísticas.

Eixos práticos do padrão alimentar recomendado

1) Priorizar proteínas em todas as refeições

O documento recomenda priorizar alimentos proteicos de alta qualidade e densos em nutrientes, citando fontes animais (ovos, aves, frutos do mar e carne vermelha) e também fontes vegetais (feijões, ervilhas, lentilhas/leguminosas, nozes, sementes e soja). Além disso, orienta preferir métodos de cocção como assar, grelhar, refogar e cozinhar, em vez de frituras profundas.

Um ponto operacional importante é a meta de ingestão: 1,2–1,6 g de proteína por kg de peso corporal ao dia, com ajuste conforme necessidades calóricas individuais.

2) Incluir laticínios, com preferência por versões integrais sem açúcar adicionado

Ao tratar de laticínios, o texto afirma que eles podem ser uma fonte relevante de proteína, gorduras, vitaminas e minerais, e sugere laticínios integrais sem açúcares adicionados. Para um padrão de 2.000 kcal, indica 3 porções/dia, com ajuste individual.

3) Vegetais e frutas ao longo do dia, com preferência por alimentos na forma “original”

O documento recomenda variedade e cores (densidade de nutrientes) e prioriza vegetais e frutas inteiros, mencionando que versões congeladas, secas ou enlatadas podem ser opções quando não houver açúcares adicionados (ou quando estes forem muito limitados). Também orienta que sucos 100% devem ter consumo limitado ou ser diluídos em água.

Para um padrão de 2.000 kcal, o texto sugere metas de porções: 3 porções/dia de vegetais e 2 porções/dia de frutas (com ajuste conforme necessidade).

4) Gorduras “saudáveis” e uma ressalva explícita sobre incertezas

O texto lista fontes de gorduras presentes em alimentos integrais (carnes, aves, ovos, frutos do mar ricos em ômega-3, nozes, sementes, laticínios integrais, azeitonas e abacate). Na escolha de gorduras para cozinhar ou adicionar a refeições, sugere priorizar óleos com ácidos graxos essenciais, citando o azeite de oliva e mencionando manteiga ou sebo bovino como outras opções.

Ao mesmo tempo, estabelece como orientação geral que gordura saturada não ultrapasse 10% das calorias diárias, e afirma que reduzir ultraprocessados ajudaria a atingir esse objetivo. O documento também declara, de forma explícita, que mais pesquisa de alta qualidade é necessária para determinar quais tipos de gorduras alimentares melhor sustentam a saúde no longo prazo.

5) Grãos integrais e redução “significativa” de carboidratos refinados

O texto recomenda priorizar grãos integrais ricos em fibras e reduzir significativamente carboidratos refinados (exemplos citados incluem pão branco, opções prontas/embaladas de café da manhã, tortillas de farinha e crackers). Para um padrão de 2.000 kcal, indica 2–4 porções/dia de grãos integrais, com ajuste individual.

Ultraprocessados, açúcares adicionados e adoçantes

O documento orienta evitar alimentos prontos/embalados “salgados ou doces” (como chips, cookies e balas), priorizando refeições caseiras e opções densas em nutrientes. Também recomenda limitar produtos com aromas artificiais, corantes derivados de petróleo, conservantes artificiais e adoçantes não nutritivos.

Há ainda uma afirmação operacional: “nenhuma quantidade” de açúcares adicionados ou adoçantes não nutritivos seria recomendada como parte de uma dieta saudável; e, como limite prático, o documento sugere que uma refeição não contenha mais do que 10 g de açúcares adicionados. Na sequência, lista exemplos de nomes comuns de açúcares adicionados e adoçantes não nutritivos para leitura de rótulos.

Sódio, hidratação e a observação sobre indivíduos muito ativos

O texto afirma que sódio e eletrólitos são essenciais para hidratação. Para a população geral (≥14 anos), recomenda menos de 2.300 mg/dia de sódio, observando que pessoas muito ativas podem se beneficiar de maior ingestão para compensar perdas pelo suor. Também traz limites por faixa etária em crianças e reforça evitar ultraprocessados ricos em sódio.

Populações específicas: do lactente ao idoso

O documento dedica seções a diferentes fases da vida, com pontos práticos:

  • Lactentes e primeira infância: incentivo ao aleitamento materno e, quando necessário, fórmula infantil fortificada com ferro; menção à suplementação de vitamina D (400 UI/dia) para lactentes amamentados (ou com baixa ingestão de fórmula), e orientações gerais sobre introdução alimentar e potenciais alergênicos, incluindo amendoim, ovos e frutos do mar, conforme risco e orientação profissional.
  • Adolescência: destaque para maior necessidade de energia, proteína, cálcio e ferro, com atenção especial para meninas por conta da menstruação; reforço de cálcio e vitamina D para massa óssea e sugestão de limitar bebidas açucaradas e ultraprocessados.
  • Gestação e lactação: prioridade para ferro, folato e iodo na gestação; e, na lactação, menção a fontes alimentares de vitamina B12 e vitamina A, entre outros pontos.
  • Idosos: observação de que podem precisar de menos calorias, mas igual ou maior quantidade de nutrientes-chave como proteína, vitamina B12, vitamina D e cálcio; menção a alimentos densos em nutrientes e possibilidade de fortificados/suplementos sob supervisão.

Considerações para doenças crônicas e dietas vegetarianas/veganas

O texto afirma que seguir as diretrizes pode ajudar a prevenir o início ou desacelerar progressão de doenças crônicas e que pessoas com doença crônica devem discutir adaptações com profissionais de saúde. Também registra que alguns indivíduos com certas doenças crônicas podem apresentar melhora de desfechos ao seguir uma dieta com menor teor de carboidratos, recomendando acompanhamento profissional para adequação.

Para vegetarianos e veganos, o documento orienta priorizar alimentos integrais e reduzir ultraprocessados “veganos/vegetarianos” com adição de gorduras, açúcares e sal. Ele também lista possíveis lacunas nutricionais, destacando que dietas vegetarianas “frequentemente” ficariam abaixo em alguns nutrientes e que dietas veganas poderiam apresentar lacunas mais amplas, recomendando monitoramento periódico de estado nutricional e suplementação direcionada quando necessário.

Fonte: https://realfood.gov

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