Ultimate Engineering: An Engineer Investigates the Biomechanics of the Human Body é um livro de Stuart Burgess, publicado em fevereiro de 2026, com 374 páginas, pela Discovery Institute Press. Ele propõe olhar para o corpo humano como um projeto de engenharia: não apenas “como é por dentro”, mas como cada estrutura resolve problemas reais, como suportar carga, absorver impacto, economizar energia e manter estabilidade durante o movimento.
Essa proposta chama atenção porque a biomecânica costuma aparecer em linguagem técnica. Aqui, o ponto de partida é mais direto: o autor tenta mostrar que, quando se observa articulações, coluna, sistema circulatório e outros componentes como “soluções”, o corpo parece operar com um nível de integração e eficiência que, na visão dele, se aproxima do “limite do possível”.
Por que o autor ganhou espaço para ser ouvido
Stuart Burgess é apresentado publicamente como Professor de Engineering Design (Engenharia de Projeto) e foi o vencedor do James Clayton Prize em 2019, prêmio que o próprio Institution of Mechanical Engineers (IMechE) descreve como seu reconhecimento mais prestigioso para contribuições excepcionais em engenharia mecânica e áreas relacionadas. (Instituição de Engenheiros Mecânicos)
Além disso, existem registros institucionais de pesquisa aplicada ao ciclismo: a Universidade de Bristol divulgou em 2016 o desenvolvimento de um sistema de testes de alta precisão para eficiência de transmissão em bicicletas, ligado ao desempenho da equipe britânica no Rio 2016. (Universidade de Bristol)
Em materiais de apresentação do ecossistema editorial do livro, ele também aparece como Guest Editor em publicações/edições especiais voltadas à biomimética. (Science and Culture Today)
A “importância” do livro: onde ela é técnica e onde é cultural
A importância do livro pode ser entendida em duas camadas, e separar essas camadas ajuda a evitar confusão.
1) Importância técnica: o corpo como referência para engenharia (biomimética)
O autor reforça a ideia de biomimética, um campo em que pesquisadores estudam sistemas biológicos para inspirar soluções tecnológicas. Isso é um tema legítimo de pesquisa e aparece na apresentação pública do trabalho de Burgess e em literatura científica da área.
Nessa camada, o livro pode ser útil porque convida o leitor a olhar para o corpo não só como “anatomia”, mas como um conjunto de escolhas estruturais: materiais, alavancas, amortecimento, armazenamento de energia elástica, controle fino de movimento. Mesmo quem discorda das conclusões do autor pode aproveitar esse exercício de observação.
2) Importância cultural: o posicionamento do autor sobre Darwin
Burgess não se limita a descrever biomecânica. Em textos de apresentação ligados ao lançamento, ele argumenta que o nível de “engenharia” visto no corpo humano seria melhor explicado pelo paradigma de Intelligent Design (Design Inteligente) e critica a ideia de que a seleção natural, como mecanismo central do darwinismo, seja suficiente para explicar certos sistemas complexos.
Ele também contesta uma linha de interpretação comum em autores evolucionistas que enfatiza “design ruim” ou soluções subótimas como parte esperada de um processo histórico e contingente. A resposta dele é: muitos exemplos do corpo seriam, na verdade, soluções altamente refinadas, com múltiplas funções e compromissos bem resolvidos (por exemplo, estruturas que precisam ser rígidas e flexíveis dependendo do momento).
Onde o debate fica mais delicado: o que é “explicação científica” e o que é “interpretação”
Em termos práticos, o livro costuma gerar dois tipos de leitura:
- Leitura técnica: “Que soluções biomecânicas o autor descreve e como ele argumenta que elas funcionam?”
- Leitura filosófico-científica: “Essas descrições levam necessariamente a uma conclusão contra Darwin, ou a discussão está mudando de nível — de mecânica para interpretação sobre origem?”
O leitor ganha quando mantém esse limite claro: o livro é, ao mesmo tempo, uma vitrine de argumentos de engenharia sobre o corpo e um manifesto de posição no debate sobre o alcance explicativo do darwinismo.
Nos materiais públicos associados à obra, Stuart Burgess sustenta que a seleção natural, como explicação central do darwinismo, é insuficiente para explicar a sofisticação e a integração de muitos sistemas do corpo humano, e que essa observação se encaixa melhor com Design Inteligente do que com uma origem por variação aleatória filtrada por seleção ao longo do tempo.
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