Somos ensinados desde a infância a “comer vegetais” porque eles seriam, por natureza, saudáveis. Mas a biologia conta uma história mais complexa. Diferentemente dos animais, que podem lutar ou fugir, as plantas são imóveis. Para sobreviver a 400 milhões de anos de evolução, elas desenvolveram um sistema sofisticado de guerra química para desencorajar predadores a comê-las.
Essas substâncias de defesa — muitas vezes chamadas de “antinutrientes” — são projetadas para agir como irritantes bioquímicos. Uma pessoa saudável pode tolerá-las em pequenas quantidades, mas, para muitos, elas seriam os gatilhos ocultos de dor articular crônica, problemas renais e “intestino permeável” (“leaky gut”).
Os arsenais do reino vegetal
As plantas usam várias “armas” específicas para proteger sementes e folhas. Como esses compostos foram feitos para atrapalhar a digestão de insetos e animais, eles podem impactar a fisiologia humana.
Oxalatos (dano estrutural): encontrados em altas concentrações em espinafre, beterraba e amêndoas, os oxalatos são cristais pontiagudos, como agulhas. Uma vez no organismo, podem se depositar em tecidos e articulações, contribuindo para fibromialgia, dor tipo artrite e para a formação do tipo mais comum de cálculos renais.
Lectinas (desreguladores do intestino): são proteínas “aderentes” presentes em feijões, grãos e nas solanáceas (tomates e batatas). As lectinas são conhecidas por se ligar ao revestimento do intestino humano, onde podem alterar as “junções estreitas” (tight junctions) e levar ao aumento de permeabilidade intestinal, o “leaky gut”.
Glucosinolatos e bociogênicos (goitrogênicos): predominantes em “superalimentos” como couve-de-bruxelas, couve e brócolis, essas substâncias podem interferir na absorção de iodo e na função da tireoide.
Interferência na biodisponibilidade
O risco dos antinutrientes não seria apenas o dano que causam, mas também os nutrientes que “roubam”. Esses compostos funcionam como “ímãs de minerais”, ligando-se a nutrientes essenciais e dificultando sua absorção.
Fitatos: presentes em sementes, oleaginosas e grãos, os fitatos se ligam a zinco, ferro e magnésio. Você pode comer uma refeição rica nesses minerais, mas os fitatos favorecem que eles passem pelo trato digestivo sem serem aproveitados.
O bloqueio do ferro: estudos mostraram que esses inibidores podem reduzir a absorção do ferro não-heme em até 23%. Por isso, uma salada “rica em ferro” raramente entrega o mesmo valor biológico que uma pequena porção de carne vermelha.
Quando o “saudável” vira inflamatório
Para quem convive com doenças autoimunes como lúpus, Crohn ou artrite reumatoide, essas substâncias de defesa poderiam atuar como “mímicos moleculares”. Como algumas lectinas se assemelham a proteínas do corpo humano, elas poderiam confundir o sistema imune, levando-o a atacar os próprios tecidos.
Na prática clínica, muitos pacientes relatam uma “redução do fogo” quando removem esses irritantes bioquímicos e migram para uma dieta baseada em carne. Não é que as plantas sejam “más”; é que elas evoluíram para se defender — e o seu corpo estaria reagindo a essa defesa.
Recuperando a integridade intestinal
O primeiro passo para melhorar muitas vezes não é adicionar um novo suplemento, mas remover um irritante oculto. As diretrizes federais de 2026 começaram a reconhecer o papel dos “alimentos integrais”, mas raramente mencionam a toxicidade de “superalimentos” crus. Se você tem comido “limpo” e ainda se sente inflamado, vale observar o que o seu alimento “saudável” está fazendo com você.
Você é o que você absorve do que você come.
Fonte: https://x.com/animaldocfilm/status/2023533286136635603
