A Dieta Cetogênica no Diabetes Tipo 2 e na Obesidade: Revisão Narrativa das Evidências Clínicas


A revisão narrativa publicada na revista Nutrients reuniu e analisou estudos clínicos (incluindo ensaios clínicos randomizados e meta-análises) sobre a dieta cetogênica (DC) em diabetes tipo 2 (DM2) e obesidade. O foco foi entender o que acontece com desfechos clínicos importantes, como glicemia, hemoglobina glicada (HbA1c), peso corporal, circunferência da cintura, perfil lipídico e necessidade de medicações antidiabéticas.

Por que a dieta cetogênica pode ajudar nesses contextos

Segundo a revisão, a DC é caracterizada por carboidrato muito baixo, proteína moderada e gordura elevada, levando o organismo a um estado de cetose nutricional, em que corpos cetônicos passam a ser uma fonte importante de energia. Nesse cenário, a disponibilidade de glicose diminui, os níveis de insulina tendem a cair e o metabolismo passa a usar mais gordura como combustível. A revisão destaca que cetose nutricional é diferente de cetoacidose diabética, que é uma condição patológica e perigosa.

Desfechos mais consistentes na prática clínica

1) Melhor controle glicêmico (incluindo HbA1c)

A revisão descreve que, em pessoas com DM2, reduzir carboidratos costuma significar menos picos de glicose após as refeições e menor variabilidade glicêmica, o que favorece o controle metabólico. Em sínteses de estudos (incluindo meta-análises citadas no artigo), a DC aparece associada a reduções de HbA1c em comparação com dietas controle em parte das análises, especialmente no curto prazo (a partir de 3 meses, o que é relevante porque HbA1c reflete semanas/meses de controle glicêmico).

Em termos humanos e práticos, a revisão sugere um cenário comum: quando o “combustível” que mais eleva a glicose (carboidratos) cai de forma importante, muitas pessoas passam a ver números mais estáveis no dia a dia e isso pode se refletir na HbA1c.

2) Redução de peso e de circunferência da cintura

Outro desfecho positivo recorrente na revisão é a perda de peso. O texto descreve que, no começo, parte da queda na balança ocorre por redução de água ligada ao glicogênio, mas também há estudos e meta-análises mostrando redução de peso e redução de circunferência da cintura, um marcador clínico de adiposidade central associado a risco cardiometabólico.

A revisão também descreve que, em condições reais, muitas pessoas relatam conseguir reduzir peso com menos necessidade de “contabilidade” alimentar, porque a estratégia tende a aumentar a saciedade e reduzir beliscos, o que pode facilitar manter uma ingestão energética menor espontaneamente.

3) Triglicerídeos mais baixos e HDL mais alto (sem “rótulos” simplistas)

Na parte sobre perfil lipídico, a revisão relata que, em análises de ensaios, a DC frequentemente se associa a redução de triglicerídeos (TG) e aumento de HDL, achados reportados em meta-análises e ensaios clínicos incluídos ou discutidos. Esses pontos aparecem como desfechos positivos especialmente quando há perda de peso e melhora do controle glicêmico ao mesmo tempo.

4) Melhora de sensibilidade à insulina em cenários específicos

A revisão cita evidências de que, em indivíduos com obesidade, uma intervenção cetogênica de curta duração pode estar associada a melhora de sensibilidade à insulina no músculo esquelético, avaliada por métodos fisiológicos robustos em estudo controlado. Isso ajuda a explicar por que, em algumas pessoas, o corpo passa a lidar melhor com glicose quando ela aparece, mesmo com menor consumo de carboidrato no dia a dia.

5) Possível redução de necessidade de medicações antidiabéticas

Um desfecho clínico muito valorizado por pacientes e profissionais aparece de forma clara na revisão: em alguns ensaios, a DC foi associada a redução ou descontinuação de medicações antidiabéticas, acompanhando melhora de HbA1c e perda de peso. A revisão enfatiza que isso exige acompanhamento de saúde, porque reduzir carboidratos pode mudar rapidamente a glicemia e a dose de medicamentos precisa ser ajustada com segurança.

O quadro geral que a revisão desenha

Quando se observa os desfechos positivos, a revisão descreve um padrão: a dieta cetogênica pode ser uma estratégia que, em muitos casos, entrega melhora do controle glicêmico, redução de HbA1c, perda de peso, redução de cintura, queda de triglicerídeos e aumento de HDL, além de potencial para diminuir a necessidade de medicamentos em parte dos pacientes.

Em termos de impacto percebido, isso costuma significar algo simples: para a pessoa com DM2 e excesso de peso, melhora a chance de ver exames caminhando na direção certa ao mesmo tempo em que o corpo se torna mais eficiente em usar gordura como fonte de energia e em manter a glicose mais “calma” ao longo do dia.

Observação importante sobre o que é “evidência clínica” aqui

A própria revisão reconhece que os resultados variam conforme desenho do estudo, duração e adesão. Ainda assim, ao compilar ensaios e sínteses, ela sustenta que existe base clínica para considerar a DC como ferramenta terapêutica possível em DM2/obesidade, especialmente para melhorar marcadores metabólicos no curto e médio prazo, com personalização e supervisão.

Fonte: https://doi.org/10.3390/nu18030397

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