Um grupo de pesquisadores avaliou se uma “dieta que imita o jejum” (uma alimentação bem reduzida em calorias por poucos dias) poderia ajudar pessoas com doença de Crohn leve a moderada.
A proposta foi curta e repetida:
- 5 dias por mês, por 3 meses.
- Nos outros dias, a pessoa voltava à alimentação habitual.
Como foi feito
- Foi um ensaio clínico randomizado (as pessoas foram divididas por sorteio).
- Participaram 97 pacientes:
- 65 fizeram a dieta que imita o jejum
- 32 continuaram como estavam (grupo controle)
O que melhorou no grupo da “dieta que imita o jejum”
Depois de 3 meses:
- Mais pessoas melhoraram dos sintomas (resposta clínica) no grupo da dieta.
- Mais pessoas entraram em remissão clínica (sintomas baixos).
- Um marcador importante de inflamação intestinal, a calprotectina fecal, teve queda maior no grupo da dieta do que no controle.
Em termos práticos: o grupo que fez os ciclos de 5 dias teve mais chance de sentir melhora e também apresentou sinais laboratoriais compatíveis com menor inflamação intestinal em comparação com manter a rotina alimentar.
E a segurança?
A dieta foi descrita como bem tolerada. Os efeitos mais comuns foram coisas como cansaço e dor de cabeça, geralmente leves, compatíveis com períodos de ingestão calórica reduzida.
O que este estudo NÃO prova
O estudo foi aberto (as pessoas sabiam em qual grupo estavam), o que pode influenciar parte dos sintomas relatados.
Houve pouca avaliação endoscópica (colonoscopia), então não dá para concluir com força sobre cicatrização da mucosa com base nesses dados.
Ainda assim, como ensaio clínico, ele traz um sinal consistente: uma intervenção curta e repetida pode ajudar uma parte dos pacientes com Crohn leve a moderada, pelo menos no período estudado.
