Eu escuto essa frase com frequência, quase sempre acompanhada de um aviso: “você vai sofrer as consequências a longo prazo”. Na minha experiência, ainda não sei bem o que significa “longo prazo”: já são mais de 8 anos vivendo majoritariamente de alimentos de origem animal. Até aqui, não apareceu nenhum problema por consumir colesterol em excesso ou por agravar minha suposta “deficiência de brócolis”. Talvez eu ainda esteja me beneficiando da teimosia da juventude e ainda não tenha “pagado o preço” aos 47 anos.
O detalhe é que, se alguém levar ao pé da letra certas estimativas sobre expectativa de vida no Paleolítico, eu já teria passado da validade.
Eu não romantizo o passado e não sigo essa alimentação para “honrar meus ancestrais”. Meu objetivo sempre foi desempenho físico e mental: mais força, serenidade e energia no dia a dia. Por isso, se continuo evitando carboidratos — com exceções pontuais — é porque sinto que meu corpo funciona bem desse jeito.
Ajustes sempre serão necessários, porque o corpo e a rotina estão sempre mudando. Minha realidade hoje é totalmente diferente da época em que comecei, e isso exigiu reavaliar vários aspectos que, no início, nem estavam no radar. Enquanto isso, hoje eu me sinto mais forte, saudável, sereno e enérgico do que fui no início da minha vida adulta.
Considero isso um superpoder, mas não transforma a dieta carnívora em seita, nem em um conjunto de regras rígidas com ameaça de excomunhão. Para mim, é uma estratégia alimentar. E, como toda estratégia, ela precisa ser ajustada ao contexto real de hoje, que não é paleolítico. A vida moderna tem particularidades, e eu prefiro não ignorar isso.
O ambiente atual pode exigir mais atenção a micronutrientes. Se for necessário para atingir um nível de otimização que não seja possível apenas com a dieta, não vejo problema em usar suplementos. Mas eles precisam se mostrar necessários — não podem ser o padrão.
Atualmente, eu suplemento creatina e glicina.
Para obter o equivalente a uma dose de creatina via alimentação, seria necessário comer por volta de 1 kg de bife. Eu não faço isso atualmente e, além disso, procuro consumir uma quantidade maior, não só pela força, mas também pela cognição.
O corpo pode não produzir glicina em quantidade ideal em todos os contextos. Como eu não sou fã de tecido conjuntivo e não tenho tomado caldo de ossos há muito tempo, venho suplementando glicina antes de dormir para auxiliar no sono — além de outros possíveis benefícios.
Encontrar o nível ideal de nutrição que faça seu corpo funcionar da melhor forma pode levar tempo. Isso exige mente aberta, curiosidade e muita disposição para mudar, mas vale a pena. Todavia, quando tratamos regras como verdades absolutas, corremos mais risco de nos prejudicar do que de prosperar.
