Composição de Macronutrientes da Dieta e Concentração de Proteínas para Manutenção da Perda de Peso


A obesidade é reconhecida como um problema de saúde pública em crescimento, associada ao aumento de doenças crônicas. Embora muitas estratégias consigam promover perda de peso inicial, manter esse resultado no longo prazo é um desafio. Um aspecto investigado é como a proporção de macronutrientes — especialmente proteínas — na dieta influencia a manutenção da perda de peso.

Este estudo analisou dados do ensaio europeu Navigating to a Healthy Weight (NoHoW), envolvendo 1.518 adultos que haviam perdido pelo menos 5% do peso corporal nos 12 meses anteriores. Durante um ano, os pesquisadores avaliaram a composição da dieta por meio de recordatórios alimentares de quatro dias e mediram alterações no peso, índice de massa gorda (FMI) e proporções cintura/altura (WHtR) e quadril/altura (HHtR).

Metodologia

  • Participantes: adultos do Reino Unido, Dinamarca e Portugal, com IMC pré-perda ≥ 25 kg/m².
  • Análise da dieta: calculada como porcentagem de energia proveniente de proteínas, gorduras e carboidratos.
  • Classificação dos alimentos: cinco grupos principais (carnes magras e equivalentes, grãos, vegetais, frutas e laticínios) e alimentos “discricionários” — ultraprocessados, ricos em gordura, açúcar, sal ou álcool e pobres em fibras.
  • Principais indicadores: mudanças em peso, FMI, WHtR e HHtR após 12 meses.

Resultados principais

  • Composição média da dieta: 20,6% de proteína, 33,8% de gordura e 43,1% de carboidratos.
  • Efeito da proteína: menor percentual de energia proveniente de proteína (diluída por gordura e/ou carboidrato) associou-se a maior ingestão total de energia e a aumentos em peso, WHtR e HHtR.
  • Hipótese da alavanca proteica: os dados confirmaram que a ingestão de proteína é rigidamente regulada. Quando a concentração proteica da dieta cai, a ingestão energética total tende a aumentar para tentar atingir a meta proteica interna do organismo.
  • Impacto dos ultraprocessados: alimentos discricionários apresentaram baixa densidade proteica (mediana de 4,4% de energia de proteína). Seu consumo elevado reduziu a proporção proteica da dieta e elevou a ingestão calórica, mesmo sem alterar de forma relevante a quantidade absoluta de proteína.
  • Alimentos de melhor perfil: carnes magras, laticínios e vegetais apresentaram de 18,5% a 39,6% de energia vinda de proteína, favorecendo o equilíbrio energético.

Implicações

  • Manter a concentração proteica (cerca de 20–25% das calorias) ajuda a evitar o aumento da ingestão calórica e facilita a manutenção do peso perdido.
  • Reduzir ultraprocessados é uma estratégia prática para prevenir a diluição proteica e controlar o apetite.
  • O efeito observado independe de ajustes por idade, sexo, gasto energético, fibra dietética e outros fatores de estilo de vida.
  • Resultados consistentes em análises de sensibilidade indicam robustez dos achados.

Conclusão

A pesquisa reforça que a qualidade da dieta, especialmente o teor proporcional de proteínas, é determinante para manter a perda de peso. Dietas com menor teor proteico, frequentemente causadas pelo consumo elevado de ultraprocessados, levam a maior ingestão de calorias e maior risco de reganho de peso. Assim, priorizar alimentos ricos em proteína de qualidade e limitar produtos ultraprocessados pode beneficiar a manutenção do peso a longo prazo.

Fonte: https://doi.org/10.1002/oby.24370

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