Eficácia e segurança de padrões alimentares com menos carboidratos para doença hepática gordurosa associada ao metabolismo: evidências de ensaios clínicos randomizados com análise GRADE


Um grupo de pesquisadores reuniu o que existe de melhor em ensaios clínicos randomizados (ECRs) sobre padrões alimentares com menos carboidratos em pessoas com doença hepática gordurosa associada ao metabolismo (DHGAM; MAFLD). Em vez de olhar apenas um estudo isolado, eles fizeram uma revisão sistemática com meta-análise, somando resultados de vários ECRs para entender, com mais clareza, o que tende a melhorar na prática clínica.

O que foi analisado

A revisão incluiu 9 ECRs, com 408 participantes, comparando intervenções de padrões alimentares com menos carboidratos (PAMC) com dietas controle ou orientações habituais. Os autores também separaram subtipos:

  • Dieta com baixo carboidrato (DBC): restrição moderada de carboidratos.
  • Dieta muito baixa em carboidratos e alta em gordura, cetogênica (DMBCAG; VLCKD): restrição mais intensa de carboidratos (um subtipo dentro do conjunto de padrões com menos carboidratos).

Desfechos observados

1) Medidas corporais: redução consistente, especialmente na cintura

Ao juntar os resultados, o padrão com menos carboidratos mostrou queda significativa em medidas diretamente ligadas ao risco cardiometabólico:

  • Peso corporal: redução média de 4,09 kg.
  • Circunferência da cintura: redução média de 4,84 cm (um dos achados mais consistentes).
  • IMC: redução média de 1,60 kg/m².
  • Relação cintura–quadril: redução média de 0,03.

Esses resultados são relevantes porque, na DHGAM, a gordura abdominal costuma acompanhar resistência à insulina e piora do risco metabólico. Quando a cintura reduz, frequentemente o conjunto metabólico melhora.

2) Resistência à insulina e controle glicêmico: melhora mensurável

Os autores encontraram melhora estatisticamente significativa em marcadores ligados à resistência à insulina e ao açúcar no sangue:

  • Glicemia de jejum: redução média de 0,33 mmol/L.
  • HOMA-IR (resistência à insulina): redução média de 1,57.
  • Hemoglobina glicada (HbA1c): em análises específicas, houve redução média de 0,61% (especialmente em protocolos mais restritivos e com maior duração).

Na prática, isso significa que, nos estudos incluídos, o padrão com menos carboidratos foi associado a um cenário em que o organismo precisou de menos “esforço” de insulina para lidar com a glicose, o que é central na DHGAM.

3) Triglicerídeos: queda significativa

Entre os lipídios sanguíneos, o desfecho mais consistente foi:

  • Triglicerídeos: redução média de 0,45 mmol/L.

Para muitos pacientes com DHGAM, triglicerídeos elevados caminham junto com resistência à insulina e acúmulo de gordura no fígado. Portanto, essa melhora tem relevância clínica dentro do “pacote” metabólico.

4) Pressão arterial: melhora da diastólica

Houve redução significativa em:

  • Pressão arterial diastólica: redução média de 3,47 mmHg.

Mesmo quedas modestas podem ser bem-vindas em pessoas com perfil cardiometabólico de maior risco, como é comum na DHGAM.

Quando os resultados parecem mais fortes

Duração: 12 semanas se destacaram

Ao comparar tempos de intervenção, os autores observaram que 12 semanas estiveram associadas a resultados mais robustos em vários marcadores:

  • Peso: −6,03 kg
  • Cintura: −4,88 cm
  • IMC: −2,33 kg/m²
  • AST: −6,19 U/L
  • ALT: −17,09 U/L
  • HbA1c: −0,61%
  • HOMA-IR: −1,44
  • Triglicerídeos: −0,50 mmol/L

Em termos práticos, a mensagem é clara: quando o objetivo é enxergar mudanças metabólicas mais consistentes, o tempo parece importar dentro do conjunto de estudos analisados.

Subtipo: a versão “muito baixa em carboidratos” mostrou vantagens em medidas metabólicas

No recorte por subtipo:

  • A DMBCAG (VLCKD) apresentou reduções significativas em peso, cintura, IMC, triglicerídeos, HbA1c e HOMA-IR, sugerindo um efeito metabólico mais forte em alguns desfechos.
  • A DBC mostrou redução significativa em ALT (enzima hepática), apontando benefício em função hepática em parte dos estudos desse subtipo.

Em resumo

Com base exclusivamente nos ECRs incluídos, os autores concluem que padrões alimentares com menos carboidratos podem melhorar obesidade central (especialmente cintura), resistência à insulina, glicemia e triglicerídeos em pessoas com DHGAM — e que 12 semanas tendem a mostrar resultados mais consistentes em múltiplos indicadores.

Fonte: https://doi.org/10.1186/s12986-025-01065-1

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