Efeitos de quatro dietas de emagrecimento com diferentes teores de gordura, proteína e carboidrato sobre massa gorda, massa magra, gordura visceral e gordura hepática: resultados do estudo POUNDS LOST


Quando alguém decide emagrecer, quase sempre surge a mesma dúvida: “vale mais cortar gordura, aumentar proteína ou reduzir carboidrato?”. O estudo POUNDS LOST investigou exatamente isso: se mudar a proporção de gordura, proteína e carboidrato na dieta faz diferença real na perda de gordura corporal, na preservação de massa magra, e na redução de gordura visceral (a gordura que fica “por dentro” do abdômen) e gordura no fígado.

A pesquisa acompanhou adultos com sobrepeso/obesidade e comparou quatro dietas com alvos diferentes de macronutrientes, mas com um ponto em comum: todas eram hipocalóricas, ou seja, planejadas para reduzir a ingestão de energia. As combinações eram, de forma simplificada, versões com menos gordura (20%) ou mais gordura (40%), e com proteína moderada (15%) ou mais alta (25%), ajustando carboidratos para completar o restante.

Para não depender só de balança ou fita métrica, os pesquisadores usaram medidas mais objetivas:

  • DXA para estimar massa gorda e massa magra.
  • Tomografia computadorizada (TC) para avaliar gordura abdominal subcutânea e visceral.
  • TC também para estimar gordura no fígado, por um método indireto chamado densidade hepática (quando a densidade aumenta, isso costuma indicar menos gordura no fígado).

O que aconteceu após 6 meses

Na média, as pessoas realmente perderam gordura e também perderam um pouco de massa magra. Em números aproximados, o estudo descreve uma redução média de cerca de:

  • 4,2 kg de massa gorda (em torno de 12,4%)
  • 2,1 kg de massa magra (em torno de 3,5%)

Na gordura abdominal, também houve redução, incluindo a parte que costuma preocupar mais pelo vínculo com risco cardiometabólico, a gordura visceral. A redução média foi, aproximadamente:

  • −2,3 kg de gordura abdominal total
  • −1,5 kg de gordura subcutânea
  • −0,9 kg de gordura visceral

E o fígado seguiu o mesmo padrão: houve melhora no indicador indireto de gordura hepática (a densidade do fígado aumentou).

O ponto mais importante, porém, foi o seguinte: essas melhorias não diferiram de forma relevante entre as quatro dietas. Em outras palavras, dentro do que foi observado, não apareceu uma “vantagem clara” de uma dieta com mais proteína versus menos proteína, ou mais gordura versus menos gordura, para:

  • perder mais massa gorda,
  • preservar mais massa magra,
  • reduzir mais gordura visceral,
  • reduzir mais gordura no fígado.

O que aconteceu em 2 anos

Com o passar do tempo, aconteceu algo muito comum em vida real: parte do peso perdido voltou. O artigo descreve que houve reganho de aproximadamente 40% do que tinha sido perdido (tanto de massa gorda quanto de massa magra). Ainda assim, o padrão continuou semelhante: nenhuma das dietas se destacou consistentemente nas medidas de composição corporal e gordura abdominal/visceral e hepática.

Um detalhe que ajuda a entender o resultado: adesão

O próprio artigo deixa claro que, embora as dietas tivessem metas diferentes, na prática as pessoas não conseguiram manter diferenças grandes na proporção de macronutrientes por muito tempo. As diferenças reais entre os grupos diminuíram com o tempo, especialmente em 2 anos. Isso é relevante porque, quando as dietas ficam mais parecidas na prática, os resultados também tendem a ficar mais parecidos.

Conclusão

Com base nas medições objetivas (DXA e TC), o estudo sustenta que, quando existe redução calórica, as dietas testadas — com variações moderadas de gordura e proteína dentro dos alvos propostos — produziram resultados muito semelhantes em:

  • composição corporal (massa gorda e massa magra),
  • gordura visceral,
  • gordura no fígado.

Ou seja, todas as dietas foram planejadas como estratégias com redução de calorias. Dentro desse cenário específico, as diferentes proporções de gordura, proteína e carboidrato testadas não mostraram vantagem consistente umas sobre as outras para perder mais massa gorda, preservar mais massa magra, reduzir gordura visceral ou reduzir gordura no fígado. Em termos práticos, quando a abordagem escolhida envolve restrição calórica, o estudo sugere que a composição de macronutrientes, nas faixas avaliadas, tende a ter impacto pequeno nesses desfechos, e que a capacidade de sustentar o plano ao longo do tempo parece ser determinante para o resultado observado.

Importante: essa conclusão não afirma que “restrição calórica é a melhor estratégia” em geral. Ela apenas descreve que, quando a estratégia adotada é hipocalórica, variar moderadamente os macronutrientes como no estudo não mudou de forma relevante os resultados corporais medidos.

Fonte: https://doi.org/10.3945/ajcn.111.026328

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