Liberdade do Ciclo dos Carboidratos: Como Recuperar o Controle da Fome e da Mente


Você foi levado a acreditar que o problema era você: “sou viciado em comida”. Você não consegue controlar o quanto come. Você até planeja e prepara refeições de verdade, saudáveis… mas parece que nunca basta. Uma hora depois de comer, você já está abrindo a geladeira de novo, buscando “mais”. E, logo em seguida, vêm a culpa, a vergonha e aquela sensação de impotência, como se isso provasse um fracasso pessoal.

Nesse caminho, é comum passar anos se perguntando por que algumas pessoas simplesmente não conseguem parar. E, quando você se percebe repetindo o mesmo padrão, a conclusão assusta: talvez seja assim que a dependência funciona. A diferença é que, no seu caso, existe um álibi fácil. É comida. E comida “a gente precisa”.

Mas aqui entra um ponto crucial: é muito provável que você não seja “viciado em comida”. O que costuma prender de verdade é o carboidrato. Ninguém perde o controle por carne, fígado ou ovos.

Isso explica muita coisa. Quando doces, salgadinhos e comidas ricas em carboidratos viram o jeito mais rápido de aliviar tensão, tristeza, cansaço ou ansiedade, o cérebro aprende a pedir de novo. Não é fraqueza. Não é falta de caráter. É o sistema de recompensa fazendo o que foi treinado a fazer. Alimentos hiperpalatáveis — açúcar, carboidrato, sal e gordura — entregam um pico de prazer e um “alívio imediato” que vira atalho. A carne, por outro lado, alimenta. Ela não foi feita para entreter.

Por isso, no começo, uma alimentação baseada em carne pode parecer sem graça. E esse “tédio” muitas vezes é um bom sinal: a comida está voltando ao lugar certo. Nutrição, não anestesia emocional.

A inquietação, o pensamento insistente, a sensação de “eu preciso disso para ficar bem” frequentemente é abstinência. É a mesma conversa interna que aparece quando alguém tenta parar outras substâncias. E, para muita gente, largar açúcar e carboidratos parece ainda mais difícil porque isso está em todo lugar, é socialmente normalizado, e a gente continua precisando comer.

Quando você tira os carboidratos, pode acontecer algo que surpreende: silêncio. Mais energia. Mais paz. Menos briga interna. Diminui a sensação de viver pensando em comida, as fissuras perdem força, o medo de perder o controle cai — e, aos poucos, você para de se punir por comer.

Isso não acontece do dia para a noite. Muitas vezes o cérebro leva de 4 a 8 semanas — ou mais — para reaprender o que é saciedade de verdade. E, sim, quando há recaída, as vontades podem voltar fortes. Mas cada dia seguindo firme torna o processo mais estável. O ruído diminui. A tranquilidade aumenta.

A ideia de um Desafio Carnívoro de 30 Dias é exatamente essa: dar um passo para longe dos carboidratos e voltar para comida de verdade, de forma simples, um dia de cada vez.

E, se você começou, você já fez a parte mais difícil: decidiu. Agora é gentileza consigo mesmo e constância. Uma refeição de cada vez.

Adaptado de D. Spencer

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