Uma dieta cetogênica com menos vegetais


Na entrevista gravada durante o evento Keto Getaway, do Low Carb USA, em West Palm Beach, o pesquisador Ivor Cummins conversa com a psiquiatra Georgia Ede sobre dieta cetogênica, cérebro e a ideia de que alimentos de origem animal podem ser mais centrais do que normalmente se assume. Ela relata que, na experiência pessoal, a dieta cetogênica foi a única estratégia alimentar que ajudou a controlar apetite e peso, além de melhorar humor, concentração e energia. Segundo ela, ao longo dos anos várias abordagens (baixa caloria, baixa gordura, baixo carboidrato e baixo IG) deixaram de funcionar, e a virada foi entender que a cetogênica não restringe apenas carboidratos, mas também tende a limitar proteína, ponto que ela diz ter aprendido ao ouvir uma palestra do Dr. Ron Rosedale em 2012.

Do ponto de vista clínico, Ede demonstra interesse especial nos possíveis efeitos terapêuticos da cetogênica no cérebro. Ela comenta que a dieta parece estabilizar a química das células cerebrais e menciona redução de sódio intracelular como um mecanismo que lembra o de fármacos usados para estabilização de humor no TAB. A partir disso, os dois discutem a proximidade conceitual entre transtornos convulsivos e TAB e por que uma intervenção metabólica poderia ser relevante. O tema se estende para DA: ela afirma que há um foco de sua palestra no papel da RI e na possibilidade de prevenção e manejo precoce ao “trocar” parte do combustível do cérebro de glicose para cetonas, destacando a percepção de que, nesse campo, dieta e estilo de vida seriam os principais elementos modificáveis.

Na parte mais controversa, a conversa entra na pergunta “quão saudáveis são, de fato, os vegetais?”. Ede descreve que, após problemas de saúde como SII, fibromialgia e fadiga crônica, chegou por tentativa e erro a um padrão “baixo em plantas e alto em alimentos de origem animal”. Ela diz que isso a levou a revisar a literatura e questionar a ideia de que plantas sejam inerentemente benéficas para pessoas saudáveis. Argumenta que plantas se defendem com compostos químicos e cita antinutrientes como inibidores de protease e ácido fítico, sugerindo que podem irritar o organismo e atrapalhar digestão e absorção de nutrientes, enquanto alimentos de origem animal não teriam defesas químicas equivalentes. Ela também diferencia partes das plantas: considera frutos como menos problemáticos e coloca sementes (grãos, leguminosas, nozes e sementes) como as mais “protegidas” e potencialmente mais difíceis, relacionando isso ao alívio que algumas pessoas relatam ao retirar grãos e leguminosas.

O diálogo ainda aborda limitações de estudos observacionais por viés do “usuário saudável”, critica extrapolações de achados in vitro (com o exemplo de sucos “ricos em antioxidantes”) e discute fibra como algo não digerível que pode ter efeitos pequenos em parâmetros como absorção de colesterol e glicose, mas que, segundo Ede, pode piorar sintomas em SII, contrariando orientações comuns de “comer mais fibra”. A entrevista termina com a ideia de olhar para alimentos “do ponto de vista do alimento”, questionando a lógica evolutiva de recomendar grãos como base da dieta em contextos fora de fome.

Fonte: https://www.dietdoctor.com/ketogenic-diet-fewer-vegetables

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